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Ribatejo
Principal via de comunicação até à implantação dos caminhos-de-ferro, foi o Tejo a ditar a criação da região ribatejana que, pelas suas características, se divide em três áreas distintas: os bairros, a lezíria ou borda-d'água e a charneca.
Os bairros situam-se a norte, na margem direita do Tejo, em terras argilosas e calcárias onde predominam a figueira e a oliveira. São também significativas as culturas do trigo e do milho. Por outro lado, mais a sul e na margem esquerda do rio, encontra-se a charneca (onde a influência árabe é mais visível) que se caracteriza por extensas áreas arenosas nas quais se encontram a cultura da cenoura e do tomate e, à medida que se aproxima o Alentejo, o pinheiro, o eucalipto, o carvalho e o sobreiro. Muito importante nesta zona é o cultivo de cereais.
Entre os bairros e a charneca fica a lezíria, constituída pelas extensas planícies inundáveis do Tejo, ideais para a cultura do arroz. Também o milho, o trigo e as pastagens contribuem para o sustento de um povo que se dedica igualmente à criação de cavalos e gado bovino.
A vinha assume uma posição de grande relevo na economia ribatejana. Tanto a qualidade como a quantidade da produção asseguram a fama dos vinhos de mesa do Cartaxo, Almeirim e Ourém, e das aguardentes viníticas e de figo.
A riqueza ribatejana encontra-se na variedade que oferece, seja ela a nível da agricultura, da criação de gado e de cavalos ou até mesmo das próprias tradições.
Igualmente diversificado é o traje desta região ribeirinha, sendo, no entanto, o campino a figura emblemática que caracteriza as particularidades desta terra. Exclusivamente masculino, o campino era o profissional que dedicava a sua vida à criação de gado bravo.
Nas arenas, ainda hoje se vêem os forcados envergando os populares trajos campinos: barrete verde com borla e barra vermelhas e camisa branca sobreposta por uma jaleca curta de lã. As calças ficam-se pelos joelhos, presas por longas meias brancas. A faixa vermelha em volta da cintura e as esporas presas aos sapatos de atanado dão o toque final. Quando usado nos campos, acrescia o pampilho - vara imprescindível que ajuda a dirigir o gado.
As mulheres surgem com as amplas saias rodadas, blusa de seda, sapato de presilha, lenço de lã com ramagens na cabeça e o típico xaile preto, franjado e de bom tecido.
Foram as festas que deram origem ao fandango que, com o seu ágil sapateado, é uma dança de despique, em que os rapazes tentam atrair a atenção das raparigas.
Bailes de roda, viras, polcas, valsas e mazurcas, sempre ao ritmo animado da zona, reinaram nos bailaricos ribatejanos, onde toda a gente dançava ao som da farrapeira, do enleio da chotiça com marcador, do corridinho, entre tantos outros.
Apesar de o artesanato do Ribatejo não ser especialmente original, é possível encontrar bonitos sacos e mantas regionais e, sendo uma região voltada para a criação bovina, vários trabalhos em couro.
Mas, apesar desta predominância bovina, a gastronomia é constituída maioritariamente pelo peixe, legumes e sopas. E, tal como as carnes não são parte fundamental do cardápio, também o arroz, cuja produção é ainda em quantidade respeitável, é substituído amiúde pelas migas e açordas. A gastronomia local completa-se com variadíssimos doces de ovos.
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in "Sabores de Portugal", Maria da Graça Silva,Texto Editora — 2003-06-03 |
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