| |
«Formoso Tejo meu... »
O Tejo, cantado por poetas e prosadores, rio aparentemente caudaloso e de difícil passagem, traiçoeiro pelas enchentes súbitas, foi durante séculos a mais importante estrada de ligação de Lisboa a Abrantes. Por incrível que pareça, este rio tinha vaus conhecidos por onde era possível a travessia pelo menos em certas épocas do ano, os quais foram utilizados para a passagem dos exércitos em épocas de guerra.
Junto dos vaus começaram a por existir barcas de travessia e mais tarde construíram-se portos. Estes existiam, por exemplo, junto às barcas do Pinheiro, da Chamusca e da Barquinha e também havia um a oeste da Quinta da Cardiga. Nesses vaus de fundo arenoso a água não ultrapassava, no Verão, os 75 cm de profundidade.
Muitas das barcas mantiveram-se até à actualidade, mas os portos foram perdendo importância.
Os portos fluviais de Tancos, Barquinha, Abrantes e Constância chegaram a ser movimentados entrepostos comerciais, cada um mais ou menos especializado em produtos próprios. O de Constância é muito antigo, pois já há notícias dele no tempo de D. Pedro I. O que mais renome chegou a atingir foi o da vila de Tancos, cujo cais, também muito antigo, foi mandado construir por D. Manuel I em boa cantaria. Era o ponto de ligação do Alentejo com as províncias do Norte e Lisboa. Devido a causas várias, os outros portos foram adquirindo supremacia. Abrantes chamou a si o negócio de trigos do Alentejo e a Barquinha absorveu quase por completo o comércio de madeiras, sal e azeite.
Perfeitamente navegável até Abrantes, o rio começava a apresentar dificuldades daí para cima, se bem que em determinadas épocas do ano se pudesse chegar com segurança até Vila Velha de Ródão.
Supõe-se, porém, que as subidas e descidas do Tejo não eram assim tão difíceis, porque de 1580 a 1592, por iniciativa de Filipe II, se tornaram frequentes as viagens pelo Tejo até Toledo. Talvez os riscos se tornassem demasiado dispendiosos, e o facto de essas viagens não se poderem realizar durante todo o ano deve ter contribuído para que se abandonassem as tentativas de transformar o Tejo na estrada central da Península Ibérica.
|
in Á Descoberta de Portugal, Selecções do Reader's Digest — 2003-06-12 |
 |
|